quarta-feira, 16 de julho de 2008

Eu, doente de verão.
Descombinado.
Cheio de tarefas.
Mas vazio de vontade de fazê-las.
Frio, quando lá fora faz calor.
Febre que dói.
Febre, muita.
Alta, como a minha voz que quer sair.
Febre-grito.
Moleton.
Esse momento merece uma foto.
Esses dias de dor merecem um porta-retrato.
Um médico que nunca vi veio hoje me visitar.
Entre exames de blá-blá-blás, remédios que não comprei.
Mas dói.
Esse momento [em geral, eu digo] parece um parto.
Porque eu pareço querer parir-me, e é por isso que tudo dói.
E o mundo está com aquela cara sem vergonha de quem fez coisa errada [coisa muito certa, aliás] e que, por isso, vai sorrir prá mim...
Almas foram feitas para vigilar.
Se buscam entre si, incansáveis.
E, por fim, sempre o encontro.
É por isso que nunca existiu distância.