Uma vida em duas malas.
Impossível comprimir o que quer expandir-se.
Desafio de reduzir-me em tão pouco, quando o que carrego mal cabe dentro de mim.
Noite fresca de verão: uma das últimas por aqui.
Abraços nos amigos que fiz tímida e lentamente ao longo de meu caminho cheio de risos e de poucos poréns.
Grata vida, grato esse tempo-espaço.
Felizes escolhas.
Volto imenso de alegria por ver e sentir tão leve o peso de minhas malas.
Boas lembranças não pesam. Nunca pesarão.
Eu fui feliz aqui.
sábado, 30 de agosto de 2008
quinta-feira, 28 de agosto de 2008
Quando eu saí de mala na mão, eu quis ir ao encontro de mim mesmo.
Distanciar de meus vícios cotidianamente plantados em meu canteiro para reflorestar pedaços já devastados de minha curta história.
Nessa viagem, eu parti em busca de mim - fato, feto: frase pronta.
Mas é verdade.
Talvez eu não soubesse bem o que buscava, mas a verdade é que, de fato, buscava.
Tinha fome e tinha sede.
Queria alimento, não importava qual fosse.
E, cada dia mais um pouco, eu viajava para dentro de minhas ruas, mapas de meus próprios caminhos.
Sutil, sereno, impetuoso, ligeiro, contraditório, mas, sobretudo, sincero.
E o mais interessante - e importante, eu diria - é que, à medida em que eu me via, me conhecia e reconhecia os outros em mim.
Eu, reflexo puro e simples de todos os outros em meu jeito de ver e compreender as coisas, os tempos, os instantes desses tempos.
Eu, curso de corte e costura de uma rede infinita de expressões ditas e ouvidas, reflexo impresso de meus amados em mim.
Eu, construção em construção: amor projetado, vazio de mim, porque, na verdade, eu sou nada mais que gratidão aos que me fazem, aos que me tecem, aos que me sopram involuntários esse "eu sou assim".
Distanciar de meus vícios cotidianamente plantados em meu canteiro para reflorestar pedaços já devastados de minha curta história.
Nessa viagem, eu parti em busca de mim - fato, feto: frase pronta.
Mas é verdade.
Talvez eu não soubesse bem o que buscava, mas a verdade é que, de fato, buscava.
Tinha fome e tinha sede.
Queria alimento, não importava qual fosse.
E, cada dia mais um pouco, eu viajava para dentro de minhas ruas, mapas de meus próprios caminhos.
Sutil, sereno, impetuoso, ligeiro, contraditório, mas, sobretudo, sincero.
E o mais interessante - e importante, eu diria - é que, à medida em que eu me via, me conhecia e reconhecia os outros em mim.
Eu, reflexo puro e simples de todos os outros em meu jeito de ver e compreender as coisas, os tempos, os instantes desses tempos.
Eu, curso de corte e costura de uma rede infinita de expressões ditas e ouvidas, reflexo impresso de meus amados em mim.
Eu, construção em construção: amor projetado, vazio de mim, porque, na verdade, eu sou nada mais que gratidão aos que me fazem, aos que me tecem, aos que me sopram involuntários esse "eu sou assim".
quarta-feira, 27 de agosto de 2008
Acabo de reler a suposta cronologia de meus escritos.
Cronologia feita de hiatos e fendas.
Muitos hiatos.
Suspiros, sílabas faltantes.
Os textos também se escrevem na memória.
Na verdade, só se escrevem aí. Ou, pelo menos, nascem aí.
E não é que eu não os tenha escrito em algum momento desses meus últimos dias sem tempo.
É simplesmente porque viajar é uma preocupação urgente e o tempo é egoísta.
Num golpe de vista: tempo é relatividade absoluta.
Lugar é qualquer espaço de mim: é só estar. E querer estar ali.
Vai, meu filho, voa.
Cronologia feita de hiatos e fendas.
Muitos hiatos.
Suspiros, sílabas faltantes.
Os textos também se escrevem na memória.
Na verdade, só se escrevem aí. Ou, pelo menos, nascem aí.
E não é que eu não os tenha escrito em algum momento desses meus últimos dias sem tempo.
É simplesmente porque viajar é uma preocupação urgente e o tempo é egoísta.
Num golpe de vista: tempo é relatividade absoluta.
Lugar é qualquer espaço de mim: é só estar. E querer estar ali.
Vai, meu filho, voa.
Quando eu ainda era criança eu sonhava em conhecer o mundo e as pessoas desse mundo.
Apesar do querer, eu tinha medo.
Mas meus medos são meu norte. Pelo menos é assim que tento fazer.
E acho que os medos viraram desafios e o querer foi se transformando em fatos, virou lembranças consolidadas e as marcas das bagagens que carrego.
O tempo passou depressa feito um sopro de velas e os passos lentos viraram corrida de menino que quer ganhar a aposta feita com a vida: movimento de minhas escolhas, fluxo de minhas possíveis verdades.
Apesar do querer, eu tinha medo.
Mas meus medos são meu norte. Pelo menos é assim que tento fazer.
E acho que os medos viraram desafios e o querer foi se transformando em fatos, virou lembranças consolidadas e as marcas das bagagens que carrego.
O tempo passou depressa feito um sopro de velas e os passos lentos viraram corrida de menino que quer ganhar a aposta feita com a vida: movimento de minhas escolhas, fluxo de minhas possíveis verdades.
Barcelona Sitges Valência
Córdoba Sevilha Cádiz Granada
Paris
Figueiras Cadaquez PortBou Cap-de-Creus
Milão Veneza Florência Bolonha
Guadalajara Toledo Madrid
Viena Budapeste Bratislava
Roma
Porto Lisboa Cascais Sintra
Dusseldorf
Ibiza Formentera
Bruxelas Brugges Amsterdan Praga Berlin
Atenas Mykonos Santorini
Córdoba Sevilha Cádiz Granada
Paris
Figueiras Cadaquez PortBou Cap-de-Creus
Milão Veneza Florência Bolonha
Guadalajara Toledo Madrid
Viena Budapeste Bratislava
Roma
Porto Lisboa Cascais Sintra
Dusseldorf
Ibiza Formentera
Bruxelas Brugges Amsterdan Praga Berlin
Atenas Mykonos Santorini
terça-feira, 26 de agosto de 2008
Cada viagem minha deveria ganhar uma página de meus escritos, complemento de minhas fotografias, registros de minha memória.
O fato de andar sem tempo é hoje um sintoma de felicidade.
Ando pulando de ponto em ponto de meu mapa-mundi, como se cada cidade fosse tão próxima de mim quanto meu próximo passo – fácil, visível, pronta e próspera: minha.
Mas uma coisa não posso negar: o tempo aqui é doido de pedra.
Brinca, esconde, volta a aparecer. Pula de dez para doze, salta o onze sem nem mesmo medir as consequências de seus saltos.
Doido tempo esse daqui.
Anoitece depois, amanhece antes.
Lua encontra com sol no céu, dias desregulados.
Sono fora de hora, comidas também.
Viagens, encontros, tempos de para sempre.
Mas tenho agradecido cada minuto desse tempo, que, agora, já tem cara de saudade.
Saudade inverteu de lado.
Mudou de sentido.
Virou a casaca, e agora é saudade daqui.
Cada dia a mais, é um dia a menos.
Foi um tempo mágico.
Está sendo, ainda.
Mas já tem seus dias contados.
De trás pra frente, é pequeno o tempo que me resta.
E ele não me amedronta. Do contrário, me encoraja para o novo tempo que me espera.
E aí, será um tempo de abraços.
O fato de andar sem tempo é hoje um sintoma de felicidade.
Ando pulando de ponto em ponto de meu mapa-mundi, como se cada cidade fosse tão próxima de mim quanto meu próximo passo – fácil, visível, pronta e próspera: minha.
Mas uma coisa não posso negar: o tempo aqui é doido de pedra.
Brinca, esconde, volta a aparecer. Pula de dez para doze, salta o onze sem nem mesmo medir as consequências de seus saltos.
Doido tempo esse daqui.
Anoitece depois, amanhece antes.
Lua encontra com sol no céu, dias desregulados.
Sono fora de hora, comidas também.
Viagens, encontros, tempos de para sempre.
Mas tenho agradecido cada minuto desse tempo, que, agora, já tem cara de saudade.
Saudade inverteu de lado.
Mudou de sentido.
Virou a casaca, e agora é saudade daqui.
Cada dia a mais, é um dia a menos.
Foi um tempo mágico.
Está sendo, ainda.
Mas já tem seus dias contados.
De trás pra frente, é pequeno o tempo que me resta.
E ele não me amedronta. Do contrário, me encoraja para o novo tempo que me espera.
E aí, será um tempo de abraços.
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