quarta-feira, 12 de novembro de 2008
"Me deu saudade de algum buritizal, na ida duma vereda em capim tem-te quero verde, termo da chapada. Saudades, dessas que respondem ao vento; saudades dos Gerais. O senhor vê: o remôo do vento nas palmas dos buritis todos, quando é ameaço de tempestade. Alguém esquece isso? O vento é verde. Aí, no intervalo, o senhor pega o silêncio e põe no colo. Eu sou donde nasci. Sou de outros lugares." [João Guimarães Rosa]
Acabo de reler um texto de quase um ano atrás.
Talvez eu tenha entendido mais uma vez que nascimento a gente deve celebrar e praticar diariamente.
Um ano voou. Absoluto, ininterrupto, sem pausa, certeiro, agudo, decisivo.
Estou mesmo precisando de uma pequena dose de ânimo. Um ponto de renovação dos meus super poderes de super-herói de brinquedo.
E revê-lo agora me fez bem:
Eu escrevi ao Papai Noel e pedi a ele de presente que eu estivesse junto da minha família neste Natal.
E viram como fui um bom menino e me comportei bem durante todo este ano?
Eu escrevi, pedi, e aqui estou.
Bem aqui, pertinho de vocês.
Ao lado de cada um.
Pensando agora, eu estou presente nas fotos, no sorteio do amigo oculto, na farofa cheia de passas que eu tanto adoro, na torta de nozes inigualável da Tia Teca, no pernil que, mesmo às vezes queimado, sempre está perfeito. Um pedacinho do meu coração está na árvore de natal de vovozinha, e nos enfeites que, todo Janeiro, algum neto querido tem que embalar em jornal e guardar em cima do guarda roupa do quarto de Ti-Coca. Estou também nas confusões dos presentes de última hora e de cada lembrança. Mas, mais ainda, estou em cada abraço apertado. Estou na oração que, uma vez ao ano, a gente faz, juntos e de mãos dadas. Não que nos outros 364 dias seguintes nós não estejamos assim, juntos e de mãos dadas, mas hoje é diferente. Hoje é especial. E eu, em mais um ano que passou, como não podereia deixar de ser, estou aqui. Bem aqui.
E é por isso que tenho certeza de que Papai Noel existe.
E também existem Anjos da Guarda.
E é para isso que existe FAMÍLIA.
Noite de 24 para 25 de dezembro, de um ano cheio de emoções, de lutas, de vitórias, de mudanças. Todas, com certeza, para melhor.
E tem Vovozinha novinha em folha, tem Thomáz careca aos 45 do segundo tempo, tem Matheus engenheiro agrônomo, tem Tialtair e Tia Teca vivendo em uma casa muito, muito maior, tem Ti-Coca virando de novo conterrâneo da gente – o bom filho à casa torna, ou melhor, nunca vai embora! Com certeza, além dessas, aconteceram um monte de coisas mais. E tem eu que fui, mas, em compensação, talvez esteja mais perto, mais sintonizado, mais ao lado de vocês do que nunca.
Mas o que eu queria mesmo era falar de sonho.
Queria falar que vocês, cada um ao seu modo, me ensinou a sonhar.
A sonhar alto e alto, longe e longe.
E, acreditem: cuidado com o que cada um pede e deseja, porque, cedo ou tarde, esse desejo acontece e acaba virando realidade.
Por exemplo: se a gente desejar muito ter asas, um dia a gente consegue voar.
E foi mais ou menos isso que aconteceu.
Pedi, sonhei, voei.
Mas aqui estou. Bem aqui, ao lado de cada um.
Ou melhor, daqui nunca saí.
Cresci, li Monteiro Lobato, comi biscoito fofão cortado em rodelas com muita manteiga, brinquei de cavalo de pau no quintal infinito da casa de vovozinha, estudei o que eu quis e escolhi fazer, trabalhei muito, tive um monte de dor de cabeça, tomei neosaldina, comi pão de queijo para tentar esquecer um dia cansativo, roubei bombom e salgadinho antes mesmo da festa começar, nas caixas que sempre estavam “escondidas” no quarto de Jacinta…
Enfim, foi assim que um monte de sonhos foram, dia a dia, se transformando nas asas que eu levo hoje.
E minhas asas ficaram grandes, grandes, até que um dia eu resolvi voar.
Decidi, tive medo.
Tentei, saltei.
Caí.
Doeu.
Chorei.
Mas aprendi.
Aprendi especialmente que o melhor de voar é voltar pra casa.
O melhor de tudo é saber que a gente tem uma casa prá voltar quando o frio bater, ou quando o coração pedir.
Hoje, sei que não existem saudade nem distâncias, porque estou aqui, bem aqui, dizendo essas coisas e abraçando a cada um.
Eu sei bem que nesse exato minuto, os menores já estão começando a querer conversar, porque ninguém tem lá muita paciência para ouvir e porque o silêncio é realmente uma arte. E já devem haver uns burburinhos num cantinho ou noutro.
Mas, por favor, deixem-me falar só mais um pouquinho. É porque Natal só acontece uma vez no ano e a minha viagem foi um pouco cansativa até eu chegar aqui.
Só mais um pouco. Prometo que não vai demorar.
Bem, as minhas coisas sempre foram feitas e acabadas meio na correria, e, quem me ajudou a fechar as malas, sabe exatamente do que eu estou dizendo.
Mas isso, isso que faço agora, eu queria fazer com a maior calma do mundo.
Pois bem. Com muita calma, eu quero dar um abraço em minha avó. Vovozinha querida do meu coração, Dona Tê, Tia Tê, Dindinha e mais todos os nomes e adjetivos desse mundo. Eu não saberia escrever nada sobre você, minha avó amada, por mais que tenha sido você quem me ensinou a gostar de poesia e a escrever de verdade. Só sei que você, Terezita Dias de Figueiredo Braga, é a pessoa a quem eu devo me referir por nome e sobrenome, nome completo, assim como você. Não tem lacuna, e, se houver alguma, a generosidade dá um jeito de fechar. Porque, cá entre nós: criar uma família com um amor desse tamanho… uma mulher, mais do que qualquer coisa, tem que ter peito!
Quero dar um abraço no meu Pai, Fernando, Padrim, Ti-Nando, Doutor, Seu Fernando, Ton Ton… Um abraço em quem me deu o sobrenome que me identifica e com o qual eu assino os meus trabalhos. Corrijo: que me ensinou a construir o meu caráter, e que, isso sim, é o que me identifica e é com ele que eu assino os meus trabalhos.
Um abraço em minha mãezinha, Tina, Dindinha, Tia Tina, Dona Tina, Ernestina, Ernesta, Mana, que tem a menor cintura do mundo e o maior tesouro dentro de si. O seu salto alto, minha mãe, jamais te colocaria do tamanho que você realmente é: minha força de cada dia.
Agora, um abraço em meus irmãos, Teu, Nando, Thó, Phi. Apelidos pequenos, ensinamentos gigantes. Os maiores do mundo. Vocês, ou melhor, nós cinco, juntos, sabemos a força que a gente tem. Vocês me ensinaram que irmão é uma palavra que não cabe em qualquer dicionário. Todo amor é pouco pelo que sinto ao abraçar vocês agora.
Tialtair, forma de tratamento que virou nome, e que virou uma palavra só: Tialtair, a gente lê e escreve tudo junto. Talvez porque a distância entre a gente seja pequena demais para separar essas duas palavras. E assim, a gente acaba virando um só mesmo. Está sentido meu abraço apertado agora? Talvez seja um bom momento para te agradecer pelas vezes quando você me buscou no Colégio Imaculada. E por tudo que você já me disse, sem mesmo saber que dizia.
Um abraço na minha Tia Teca, a tia com mais cara de tia: cara de coisa boa, de mãe, cara de lanche da tarde, de sobremesa, de brigadeiro, de lição de vida. Eu sei o quanto somos próximos, no pouco e no muito. Talvez ninguém saiba, mas eu sei. E sinto.
Ninha, Rafa, Paulinha, dá aqui um abraço apertado. Ser primo é ser também irmão. É ser cúmplice, pra buscar o Batmóvel ganhado no sorteio na boate, prá conversar segredos. É ser cúmplice nas mentirinhas inventadas, nas fofocas, nos problemas, nas pequenas coisas, que acabam fazendo toda a diferença.
Meu Ti-Coca. Dê cá um abraço. Forte, como você sempre se mostrou. A vida brinca com a gente. E a gente tem que brincar com ela também. Eu já disse um dia que estar com você é estar em um parque de diversão. Mas acho que nunca cheguei a dizer que te amo. Te amo, Padrim.
Pedro, meu afilhado. Que Deus te abençoe com este abraço. Que você se sinta abraçado, protegido e me ouça te dizer algumas coisas sinceras. Coisas que, com certeza, teremos ainda a vida inteira pela frente para conversar.
Agora, quero abraçar a minha Tchana’s, Tia Nanja, Dinha, Ninha, Maria. Quem, dentre incontáveis presentes e presenças, me deu um caderno de desenho e minha primeira caixa de lápis pastel? Acho que você sempre acreditou mais em mim do que eu mesmo. Espero que você esteja certa em suas previsões, e que este abraço fale ao seu ouvido o tamanho da minha gratidão e do meu respeito. Se existe fada-madrinha? Eu sempre serei suspeito a responder certas perguntas…
Já, Têra, Adélia, Marceline. Queridos presentes de Deus em minha vida, que eu não me canso de abraçar e de agradecer. Roupa passada às pressas, alma lavada com toda a sabedoria do mundo, desejos e gula prontamente atendidos. Estão sentindo? É o meu abraço por tudo que ainda virá.
Bom, acho que aprendi com vovozinha a escrever demais. Mas ainda bem que minha letra não é tão grande como a dela. Porque, imagina só se eu tivesse que pedir a um de vocês, netos como eu, para passar a limpo essa história inteira?
Mas a gente precisa começar, ou melhor, continuar o nosso rito, a nossa comunhão. A nossa partilha, que, acho, é uma das coisas que de melhor a gente aprendeu a fazer.
Como de costume, a gente tem que agradecer a Deus por mais um ano, por mais um Natal, por mais um monte de luzes acesas dentro da gente.
Por cada passo, por cada novo dia, por cada pouquinho que fizemos para ser hoje melhor do que fomos ontem.
Sabemos também que tem umas pessoinhas olhando por nós lá de cima, que, com certeza, já pediram um “dedal” de nossa cerveja bem gelada e estão com a bolsa sempre generosamente cheia de uns remedinhos milagrosos que fazem a fila crescer em torno de uma mesa enorme, em torno de muitos corações em sintonia.
E eu, mais do que tudo no mundo, queria dizer que a minha família é protagonista de minhas histórias e que, independente de onde estivermos, nem eu nem vocês nunca, nunca, nunca estaremos sozinhos.
Simplesmente porque vocês, que são minha família, me ensinaram que…
quem são muitos nunca é só.
Com todo amor que couber no infinito de minhas palavras e na certeza de minha presença,
Tico.
Escrito em Dezembro de 2007
Talvez eu tenha entendido mais uma vez que nascimento a gente deve celebrar e praticar diariamente.
Um ano voou. Absoluto, ininterrupto, sem pausa, certeiro, agudo, decisivo.
Estou mesmo precisando de uma pequena dose de ânimo. Um ponto de renovação dos meus super poderes de super-herói de brinquedo.
E revê-lo agora me fez bem:
Eu escrevi ao Papai Noel e pedi a ele de presente que eu estivesse junto da minha família neste Natal.
E viram como fui um bom menino e me comportei bem durante todo este ano?
Eu escrevi, pedi, e aqui estou.
Bem aqui, pertinho de vocês.
Ao lado de cada um.
Pensando agora, eu estou presente nas fotos, no sorteio do amigo oculto, na farofa cheia de passas que eu tanto adoro, na torta de nozes inigualável da Tia Teca, no pernil que, mesmo às vezes queimado, sempre está perfeito. Um pedacinho do meu coração está na árvore de natal de vovozinha, e nos enfeites que, todo Janeiro, algum neto querido tem que embalar em jornal e guardar em cima do guarda roupa do quarto de Ti-Coca. Estou também nas confusões dos presentes de última hora e de cada lembrança. Mas, mais ainda, estou em cada abraço apertado. Estou na oração que, uma vez ao ano, a gente faz, juntos e de mãos dadas. Não que nos outros 364 dias seguintes nós não estejamos assim, juntos e de mãos dadas, mas hoje é diferente. Hoje é especial. E eu, em mais um ano que passou, como não podereia deixar de ser, estou aqui. Bem aqui.
E é por isso que tenho certeza de que Papai Noel existe.
E também existem Anjos da Guarda.
E é para isso que existe FAMÍLIA.
Noite de 24 para 25 de dezembro, de um ano cheio de emoções, de lutas, de vitórias, de mudanças. Todas, com certeza, para melhor.
E tem Vovozinha novinha em folha, tem Thomáz careca aos 45 do segundo tempo, tem Matheus engenheiro agrônomo, tem Tialtair e Tia Teca vivendo em uma casa muito, muito maior, tem Ti-Coca virando de novo conterrâneo da gente – o bom filho à casa torna, ou melhor, nunca vai embora! Com certeza, além dessas, aconteceram um monte de coisas mais. E tem eu que fui, mas, em compensação, talvez esteja mais perto, mais sintonizado, mais ao lado de vocês do que nunca.
Mas o que eu queria mesmo era falar de sonho.
Queria falar que vocês, cada um ao seu modo, me ensinou a sonhar.
A sonhar alto e alto, longe e longe.
E, acreditem: cuidado com o que cada um pede e deseja, porque, cedo ou tarde, esse desejo acontece e acaba virando realidade.
Por exemplo: se a gente desejar muito ter asas, um dia a gente consegue voar.
E foi mais ou menos isso que aconteceu.
Pedi, sonhei, voei.
Mas aqui estou. Bem aqui, ao lado de cada um.
Ou melhor, daqui nunca saí.
Cresci, li Monteiro Lobato, comi biscoito fofão cortado em rodelas com muita manteiga, brinquei de cavalo de pau no quintal infinito da casa de vovozinha, estudei o que eu quis e escolhi fazer, trabalhei muito, tive um monte de dor de cabeça, tomei neosaldina, comi pão de queijo para tentar esquecer um dia cansativo, roubei bombom e salgadinho antes mesmo da festa começar, nas caixas que sempre estavam “escondidas” no quarto de Jacinta…
Enfim, foi assim que um monte de sonhos foram, dia a dia, se transformando nas asas que eu levo hoje.
E minhas asas ficaram grandes, grandes, até que um dia eu resolvi voar.
Decidi, tive medo.
Tentei, saltei.
Caí.
Doeu.
Chorei.
Mas aprendi.
Aprendi especialmente que o melhor de voar é voltar pra casa.
O melhor de tudo é saber que a gente tem uma casa prá voltar quando o frio bater, ou quando o coração pedir.
Hoje, sei que não existem saudade nem distâncias, porque estou aqui, bem aqui, dizendo essas coisas e abraçando a cada um.
Eu sei bem que nesse exato minuto, os menores já estão começando a querer conversar, porque ninguém tem lá muita paciência para ouvir e porque o silêncio é realmente uma arte. E já devem haver uns burburinhos num cantinho ou noutro.
Mas, por favor, deixem-me falar só mais um pouquinho. É porque Natal só acontece uma vez no ano e a minha viagem foi um pouco cansativa até eu chegar aqui.
Só mais um pouco. Prometo que não vai demorar.
Bem, as minhas coisas sempre foram feitas e acabadas meio na correria, e, quem me ajudou a fechar as malas, sabe exatamente do que eu estou dizendo.
Mas isso, isso que faço agora, eu queria fazer com a maior calma do mundo.
Pois bem. Com muita calma, eu quero dar um abraço em minha avó. Vovozinha querida do meu coração, Dona Tê, Tia Tê, Dindinha e mais todos os nomes e adjetivos desse mundo. Eu não saberia escrever nada sobre você, minha avó amada, por mais que tenha sido você quem me ensinou a gostar de poesia e a escrever de verdade. Só sei que você, Terezita Dias de Figueiredo Braga, é a pessoa a quem eu devo me referir por nome e sobrenome, nome completo, assim como você. Não tem lacuna, e, se houver alguma, a generosidade dá um jeito de fechar. Porque, cá entre nós: criar uma família com um amor desse tamanho… uma mulher, mais do que qualquer coisa, tem que ter peito!
Quero dar um abraço no meu Pai, Fernando, Padrim, Ti-Nando, Doutor, Seu Fernando, Ton Ton… Um abraço em quem me deu o sobrenome que me identifica e com o qual eu assino os meus trabalhos. Corrijo: que me ensinou a construir o meu caráter, e que, isso sim, é o que me identifica e é com ele que eu assino os meus trabalhos.
Um abraço em minha mãezinha, Tina, Dindinha, Tia Tina, Dona Tina, Ernestina, Ernesta, Mana, que tem a menor cintura do mundo e o maior tesouro dentro de si. O seu salto alto, minha mãe, jamais te colocaria do tamanho que você realmente é: minha força de cada dia.
Agora, um abraço em meus irmãos, Teu, Nando, Thó, Phi. Apelidos pequenos, ensinamentos gigantes. Os maiores do mundo. Vocês, ou melhor, nós cinco, juntos, sabemos a força que a gente tem. Vocês me ensinaram que irmão é uma palavra que não cabe em qualquer dicionário. Todo amor é pouco pelo que sinto ao abraçar vocês agora.
Tialtair, forma de tratamento que virou nome, e que virou uma palavra só: Tialtair, a gente lê e escreve tudo junto. Talvez porque a distância entre a gente seja pequena demais para separar essas duas palavras. E assim, a gente acaba virando um só mesmo. Está sentido meu abraço apertado agora? Talvez seja um bom momento para te agradecer pelas vezes quando você me buscou no Colégio Imaculada. E por tudo que você já me disse, sem mesmo saber que dizia.
Um abraço na minha Tia Teca, a tia com mais cara de tia: cara de coisa boa, de mãe, cara de lanche da tarde, de sobremesa, de brigadeiro, de lição de vida. Eu sei o quanto somos próximos, no pouco e no muito. Talvez ninguém saiba, mas eu sei. E sinto.
Ninha, Rafa, Paulinha, dá aqui um abraço apertado. Ser primo é ser também irmão. É ser cúmplice, pra buscar o Batmóvel ganhado no sorteio na boate, prá conversar segredos. É ser cúmplice nas mentirinhas inventadas, nas fofocas, nos problemas, nas pequenas coisas, que acabam fazendo toda a diferença.
Meu Ti-Coca. Dê cá um abraço. Forte, como você sempre se mostrou. A vida brinca com a gente. E a gente tem que brincar com ela também. Eu já disse um dia que estar com você é estar em um parque de diversão. Mas acho que nunca cheguei a dizer que te amo. Te amo, Padrim.
Pedro, meu afilhado. Que Deus te abençoe com este abraço. Que você se sinta abraçado, protegido e me ouça te dizer algumas coisas sinceras. Coisas que, com certeza, teremos ainda a vida inteira pela frente para conversar.
Agora, quero abraçar a minha Tchana’s, Tia Nanja, Dinha, Ninha, Maria. Quem, dentre incontáveis presentes e presenças, me deu um caderno de desenho e minha primeira caixa de lápis pastel? Acho que você sempre acreditou mais em mim do que eu mesmo. Espero que você esteja certa em suas previsões, e que este abraço fale ao seu ouvido o tamanho da minha gratidão e do meu respeito. Se existe fada-madrinha? Eu sempre serei suspeito a responder certas perguntas…
Já, Têra, Adélia, Marceline. Queridos presentes de Deus em minha vida, que eu não me canso de abraçar e de agradecer. Roupa passada às pressas, alma lavada com toda a sabedoria do mundo, desejos e gula prontamente atendidos. Estão sentindo? É o meu abraço por tudo que ainda virá.
Bom, acho que aprendi com vovozinha a escrever demais. Mas ainda bem que minha letra não é tão grande como a dela. Porque, imagina só se eu tivesse que pedir a um de vocês, netos como eu, para passar a limpo essa história inteira?
Mas a gente precisa começar, ou melhor, continuar o nosso rito, a nossa comunhão. A nossa partilha, que, acho, é uma das coisas que de melhor a gente aprendeu a fazer.
Como de costume, a gente tem que agradecer a Deus por mais um ano, por mais um Natal, por mais um monte de luzes acesas dentro da gente.
Por cada passo, por cada novo dia, por cada pouquinho que fizemos para ser hoje melhor do que fomos ontem.
Sabemos também que tem umas pessoinhas olhando por nós lá de cima, que, com certeza, já pediram um “dedal” de nossa cerveja bem gelada e estão com a bolsa sempre generosamente cheia de uns remedinhos milagrosos que fazem a fila crescer em torno de uma mesa enorme, em torno de muitos corações em sintonia.
E eu, mais do que tudo no mundo, queria dizer que a minha família é protagonista de minhas histórias e que, independente de onde estivermos, nem eu nem vocês nunca, nunca, nunca estaremos sozinhos.
Simplesmente porque vocês, que são minha família, me ensinaram que…
quem são muitos nunca é só.
Com todo amor que couber no infinito de minhas palavras e na certeza de minha presença,
Tico.
Escrito em Dezembro de 2007
segunda-feira, 10 de novembro de 2008
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