domingo, 29 de março de 2009

E aí, quando a gente se abraça, vira dois.
Dois que vira um.
E fica mais forte.
Bem mais forte que um só.
Às vezes, a vida se comporta como ilha.
E é assim que estou.
Cercado de um infinito, longe de todos os lugares e de todos os abraços que eu queria estar agora.
Longe de tudo.

...

Foram porções generosas de cumplicidade, de dedicação sem medida.
Pra isso não existe receita.
Nem receita, nem tamanho.
Essas coisas, nem tem como ensinar. Poucos sabem a dose certa.
E ela sabia o ponto.
Sabia o ponto exato do meu bife alto preferido, do meu doce que me fazia sentir importante, do pudim sem nenhum furinho, o ponto exato de tudo que ela sempre foi e me ensinou a ser, com lições pequenas na cozinha e na vida.
Nada era sem graça. Não existia meio termo.
Sempra pra mais, sempre pra mais, sempre para mais.
Um exagero de pessoa.
Um exagero que enche a casa, que preenche os espaços, que organiza a vida da gente.
Um exagero que fazem pequenas as minhas palavras, um exagero que não se traduz.
Um exagero de lamber os dedos, de roubar a calda do bolo, de queimar a boca com cada fornada do pão de queijo mais inesquecível.
O exagero de toda a minha vida, alimentada dia a dia de delícias, e, agora, de recordações.

...

As circustâncias me trouxeram pra longe.
Pra bem longe desse berço...

...

Fico imaginando que as comidinhas de Papai do Céu agora ficarão bem mais saborosas.
O cardápio agora é farto, extenso, completo.
Tomara que os Santos mais gordinhos gostem de feijoada como eu.
E que, pra não haver nenhum problema, a gula seja rapidamente cortada da lista de pecados.

E depois disso tudo, eu não me assustarei se houver por aí chuva de limonada ou de nescau bem preto.
Nem se, por ventura, alguma panela cair do céu.

quarta-feira, 18 de março de 2009

HCB 1985.
Já estive e permaneci em muitos lugares.
Por uns passei, em outros vivi.
Mas o que me identifica nunca mudou: a minha placa sempre foi de lá.

terça-feira, 17 de março de 2009

Às vezes eu acho que a vida é um impulso.
Às vezes, eu acho e sinto. Ao mesmo tempo.
Um impulso assinado por tudo que a gente faz.
Um impulso desenhado pelas coisas que a gente ama, sonha, deseja, espera, crê.
Um impulso que nos projeta ao encontro da gente que a gente ama, ao encontro do amor que a gente ama, ao encontro do desejo a gente deseja, ao encontro da espera que a gente espera, ao encontro da crença que a gente acredita.

Um impulso, um salto.
E é por isso que os tombos fazem parte desse contexto que atende pelo substantivo feminino: vida.
Minha vida.
Cheia de pausas, vozes, frases em sequência.
Às vezes eu acho que a vida é um impulso.
Às vezes eu acho que a vida é uma vontade de correr.
De correr ao encontro, de correr pro abraço, de correr pra perto, de correr lado a lado, de correr de mãos dadas.
Às vezes eu acho que a vida é um sorriso.
Sorriso aberto feito janela, alto, falante, alto-falante.

Acho que é isso que a vida é.

sábado, 7 de março de 2009

Sentimentos acumulados de meses, de dias de sol vividos na Ilha, que agora é mesmo minha casa, minha barraca de praia, meu descanso e minha insônia.
Experiências elevadas à enésima potência, depois de dias insanos e muitos pôr do sol.
Tento agora entender o mar, perceber o que ele tem a me dizer.
Das janelas de meus olhos recordo como hoje as risadas de meus irmãos e os abraços de meus pais.
Um painel na sala virou placar de jogo de cartas, mensagens eternizadas por elas, sempre elas, as palavras.
Fotos tiradas em polaroides imaginárias, simplesmente porque conseguem ser instantâneas e eternas ao mesmo tempo.
Amanhã é domingo, mais um desses dias que pedem para ser meus.
Saudade de cada pequeno, de cada traço de minha personalidade refletido em nossas imensas diferenças.

Muita gente passou por aqui desde que voltei.
Irmãos, amigos, pessoas amadas, cúmplices, verdades vestidas de gente, meu grande amor.
E a casa pequena vira acampamento, vira circo, vira espetáculo. Show que a gente mesmo dá e assiste.
Os colchões se multiplicam; os abraços viram travesseiros; as palavras viram novela das 8; as risadas viram trilha sonora.
Prato para dois vira prato para cinco; carro para quatro vira caminhão.
E tudo se ajeita, se espreme, se transforma em algo que vai ser para sempre.
Férias de nós mesmos, carnaval de nossos próprios problemas.

E assim, cheio de boas promessas e boas companhias, chegou 2009, que já corre como se estivesse sendo perseguido por alguém muito veloz.
Com os meses que passam, já sinto os reflexos do pouco que comecei a plantar.
Que meus próximos passos sejam firmes, como os que me trouxeram até aqui.
"Deixe que a alma tenha a mesma idade que a idade do céu"...