01:
Abril de 2009.
Dia 18.
02:
Um bar de luzes amarelas e o mar cantando pra mim.
A música talvez seja só um bobo pretexto para eu me escutar.
A noite convida a estar fora de casa e dentro de mim.
Meu carro preto me acompanha e me leva por um caminho que eu ainda quero descobrir.
Por mais que eu já tenha estado aqui, agora é diferente.
Tudo é novo: e o desconhecido assusta.
Não sei o que sinto, não sinto o que sei.
Dói. Dói porque ainda pulsa.
É estranha a sensação do tempo fazendo carinho na gente...
Isso tem a ver com uma certeza: a saudade existe como atestado de que o tempo passou.
Tenho oscilado entre certezas e vazios completos.
Queria um abraço coletivo de meus irmãos. Queria a cama de minha mãe e o ronco de ninar de meu pai. Queria a mesma mesa de comer, para alimentar a minha alma que agora sente fome.
03:
Uma casquinha de siri, uma caipirinha de limão com pouco açúcar e as risadas das mesas ao meu redor.
Sigo escutando o mar - mas isso não quer dizer que eu esteja entendendo o que ele me diz.
Estou em uma mesa vermelha, com três cadeiras, também de plástico vermelhas: contraponto de cor em meio à monocromia predominante do ambiente, do cenário, da roupa que eu levo, daquilo que eu estou sentindo.
Se bem que isso é incoerência.
Ironia pura da vida e seus recôncavos.
Corrijo: acabo de perceber que predominam as cores quentes, os sorrisos e os encontros.
Ainda bem que no meio disso tudo, existem os opostos, os hiatos, a pausa que sinto agora.
Isso faz a vida ser assim, única, inédita, cheia de curvas acentuadas, de acidentes, de surpresas, de inconstâncias, de irregularidades, de esquinas.
04:
A minha mesa está embaixo de uma árvore.
Essa árvore é uma gameleira que, mesmo à noite, projeta sombras.
A mesma sombra da fazenda que tanto me inspira saudade.
Imensas: a sobra da gameleira, a gameleira e a saudade.
Estou sozinho e, olhando para ela, me sinto menos só. Penso me sentir abraçado pela extensão de seus galhos.
O cardápio exclui as porções individuais. Só me restou a casquinha de siri, que é única por si só.
A música que escuto é chorinho cantado ao vivo.
Pequenas semelhanças; ou coincidências.
Chorinho...
De fora, e de dentro de mim.
domingo, 19 de abril de 2009
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Um comentário:
Amo Você.
Sempre. Para Sempre.
Nao apenas no dia 18 mas como em todos os outros..
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