E, lá dentro, a casa já tem cheiro de vida.
Movimenta, aos poucos, e se enche.
Os espaço se ocupam e já não existe vazio.
Me renovo com as mudanças.
Pareço desejá-las.
Pareço necessitar delas.
O céu está lindo.
E eu posso vê-lo aqui do meu quintal.
domingo, 12 de julho de 2009
Na piscina de Tia Dida eu parecia ouvir, mesmo de dentro d’água, os seus gritos de torcida e estímulo. Eles me me davam a certeza de que, nem ali, nem nunca, eu estaria só.
Desde pequeno, foi assim que você me ensinou a viver: vencendo meus medos.
E, por mais que a piscina da Mestra Fininha me parecesse imensa, você insitia e me colocava frente a frente com minhas limitações de criança. Todos elas a serem vencidas. E eu, com a minha sunga listrada de azul e branco, talvez não entendesse naquela época que aquilo era o melhor a ser feito: eu tinha que me superar mais uma vez.
Certamente naquela piscina eu aprendi algumas lições raras. Isso foi há muito tempo atrás. E, se eu agora posso lembrar de todas elas, é sinal de que permanecem comigo até hoje.
Você sempre me ensinou a ser maior. Hoje, maior do que ontem e menor do que amanhã.
Assim eu aprendi a nadar. De pequeno, quando eu ainda não tinha vontades próprias e quando você fazia das suas, as minhas vontades.
Sua lucidez diante da vida me fez entender que cada apito que me fazia saltar para os próximos metros deveriam ser cumpridos com a máxima perfeição e com a máxima entrega, dentro de meus limites, até o final de cada prova.
Também sobre os meus limites, você me ensinou que muitos existem não para serem superados, mas para serem respeitados. Alguns, você sabiamente criou. Outros, você apenas me indicou. Uns tantos outros, você deixou que a vida me impusesse.
E foi assim que eu comecei a nadar e a entendender tantas outras coisas: aos poucos, num ritmo só meu, cheio de detalhes, percebidos a cada braçada.
E foi assim também que eu cresci, junto com você.
Crescemos juntos.
Eu torcendo por você, você, torcendo por mim.
Hoje, a piscina ficou enorme. Imensa, infinita.
Cresceu tanto que virou mar.
Mas eu aprendi a nadar cedo. Desde pequeno, com você ao meu lado.
E, aprendendo a nadar, entendi que o mais importante é manter o fôlego pra seguir até onde eu quero chegar. Isso, sim, é vencer.
Nadar é dessas coisas que a gente aprende um dia e nunca mais deixa de saber. Passa a fazer parte da vida da gente, pra sempre. Isso foi uma das muitas, incontáveis coisas que aprendi tendo você por perto, junto de mim. Talvez graças a isso tudo eu consiga hoje nadar sozinho, num mar que eu ainda tenho muito que conhecer.
Mas, sempre que me falta o fôlego, eu me lembro de você gritando meu nome na beira da piscina, e me acompanhando, como se quisesse nadar por mim. Nesses momentos, quando parecem me faltar as pernas e os braços, é pra você que eu olho, é de você que eu lembro.
Não preciso nem dizer que tudo isso me dá força para tomar um pouco mais de ar e chegar ao outro lado, onde certamente você estará me esperando. Onde certamente estarão você, meu pai e meus irmãos: referência de tudo, meu norte. É por vocês que me guio, é por vocês que eu me oriento.
Na piscina de Tia Dida eu parecia ouvir, mesmo de dentro d’água, os seus gritos de torcida e estímulo. Eles me me davam a certeza de que, nem ali, nem nunca, eu estaria só.
Hoje eu resolvi voltar a fazer natação, mãe.
Me matriculei em uma academia perto da minha nova casa.
Decidi voltar a praticar as coisas das quais eu nunca me esquecerei.
Estejamos juntos sempre.
Porque, mesmo que eu nade pra longe, você não se esqueceu de me ensinar a voltar.
(em Floripa, 07/07/09)
Desde pequeno, foi assim que você me ensinou a viver: vencendo meus medos.
E, por mais que a piscina da Mestra Fininha me parecesse imensa, você insitia e me colocava frente a frente com minhas limitações de criança. Todos elas a serem vencidas. E eu, com a minha sunga listrada de azul e branco, talvez não entendesse naquela época que aquilo era o melhor a ser feito: eu tinha que me superar mais uma vez.
Certamente naquela piscina eu aprendi algumas lições raras. Isso foi há muito tempo atrás. E, se eu agora posso lembrar de todas elas, é sinal de que permanecem comigo até hoje.
Você sempre me ensinou a ser maior. Hoje, maior do que ontem e menor do que amanhã.
Assim eu aprendi a nadar. De pequeno, quando eu ainda não tinha vontades próprias e quando você fazia das suas, as minhas vontades.
Sua lucidez diante da vida me fez entender que cada apito que me fazia saltar para os próximos metros deveriam ser cumpridos com a máxima perfeição e com a máxima entrega, dentro de meus limites, até o final de cada prova.
Também sobre os meus limites, você me ensinou que muitos existem não para serem superados, mas para serem respeitados. Alguns, você sabiamente criou. Outros, você apenas me indicou. Uns tantos outros, você deixou que a vida me impusesse.
E foi assim que eu comecei a nadar e a entendender tantas outras coisas: aos poucos, num ritmo só meu, cheio de detalhes, percebidos a cada braçada.
E foi assim também que eu cresci, junto com você.
Crescemos juntos.
Eu torcendo por você, você, torcendo por mim.
Hoje, a piscina ficou enorme. Imensa, infinita.
Cresceu tanto que virou mar.
Mas eu aprendi a nadar cedo. Desde pequeno, com você ao meu lado.
E, aprendendo a nadar, entendi que o mais importante é manter o fôlego pra seguir até onde eu quero chegar. Isso, sim, é vencer.
Nadar é dessas coisas que a gente aprende um dia e nunca mais deixa de saber. Passa a fazer parte da vida da gente, pra sempre. Isso foi uma das muitas, incontáveis coisas que aprendi tendo você por perto, junto de mim. Talvez graças a isso tudo eu consiga hoje nadar sozinho, num mar que eu ainda tenho muito que conhecer.
Mas, sempre que me falta o fôlego, eu me lembro de você gritando meu nome na beira da piscina, e me acompanhando, como se quisesse nadar por mim. Nesses momentos, quando parecem me faltar as pernas e os braços, é pra você que eu olho, é de você que eu lembro.
Não preciso nem dizer que tudo isso me dá força para tomar um pouco mais de ar e chegar ao outro lado, onde certamente você estará me esperando. Onde certamente estarão você, meu pai e meus irmãos: referência de tudo, meu norte. É por vocês que me guio, é por vocês que eu me oriento.
Na piscina de Tia Dida eu parecia ouvir, mesmo de dentro d’água, os seus gritos de torcida e estímulo. Eles me me davam a certeza de que, nem ali, nem nunca, eu estaria só.
Hoje eu resolvi voltar a fazer natação, mãe.
Me matriculei em uma academia perto da minha nova casa.
Decidi voltar a praticar as coisas das quais eu nunca me esquecerei.
Estejamos juntos sempre.
Porque, mesmo que eu nade pra longe, você não se esqueceu de me ensinar a voltar.
(em Floripa, 07/07/09)
domingo, 5 de julho de 2009
quarta-feira, 1 de julho de 2009
É como se a vida fosse semente.
Tem um dia que ela aparece vestida de árvore.
E aí, a partir daí, é só a nobreza da sombra.
Escrito há um ano, revivido hoje.
Raízes é que garantem a sombra.
Botei minha planta pra tomar chuva e sol; cuidados cotidianos com meu pequeno jardim.
E minha sala se enche de verde.
E eu sinto que há vida nas pequenas coisas.
Tem um dia que ela aparece vestida de árvore.
E aí, a partir daí, é só a nobreza da sombra.
Escrito há um ano, revivido hoje.
Raízes é que garantem a sombra.
Botei minha planta pra tomar chuva e sol; cuidados cotidianos com meu pequeno jardim.
E minha sala se enche de verde.
E eu sinto que há vida nas pequenas coisas.
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