quarta-feira, 28 de outubro de 2009

O trabalho pra mim sempre esteve em um limite muito tênue entre a poesia e a dor.
Vai ver que todo grande amor é assim...

sexta-feira, 23 de outubro de 2009

Diacho de sede de família que nunca passa...

segunda-feira, 19 de outubro de 2009

Deitar na rede da varanda e tentar ouvir as coisas que eu não tenho tempo de me dizer.
Falar talvez seja mais fácil que ouvir.
Ouvir talvez seja ainda mais fácil que entender.

Sei não...
Sei de nada não.

Verão começa a querer chegar por aqui.
Não em temperatura, mas em título.
O verão ganha estatus de horário, reinventa o tempo, bagunça os ponteiros de nossas rotinas.
E aqui na ilha, onde talvez o verão devesse ganhar estatus de ano inteiro, eu espero paciente o sol chegar.
Chegar para o céu de fora e daqui de dentro também.

A rede na varanda segue serena.
Dali, vejo a rua tranquila brincar com as crianças.
As mesmas crianças que me acordam sempre cedo aos sábados, com as mesmas regras dos jogos inventados, com a mesma euforia de quem quer beber de um gole só o dia que ainda está despertando.
Sim, são esses os mesmos gritos de quem ainda não entende bem sobre limites e regras.
São eles que me acordam quase sempre...

E é dali, da rede na varanda, que meus livros me contam coisas, e as revistas me mostram as fotos de suas últimas viagens pelo mundo.

E nós, que vivemos no número 144, tentamos conviver com nossas diferenças e pequenos conflitos.
É assim que sorrimos timidamente uns para os outros os sorrisos de quem ainda está se conhecendo. Casa, espaços, noites de preocupações e sonhos, lembranças, trilhas sonoras, rotina, temperos, prazos de validade, cheiros e manias. Tudo em comunidade, tentando nos entender, aceitar e perceber esses detalhes que fazem parte e constroem cada dia a mais vivido aqui.

Hoje, especialmente, sinto uma distância muito grande entre mim e as coisas que me completam.
E é aí que tento me apegar ao presente.
Talvez me faltem presenças.
Presente é uma coisa, presença é outra: saudade.

Mas também entendo as escolhas que a gente faz.
Todos os dias são escolhas.
As noites também.
Assim penso.

E foi assim que eu escolhi.
Estar aqui talvez tenha a vaga pretensão de paraíso, mistura complicada de ilha deserta e promessas.

Sei não...
Sei de nada não.

domingo, 18 de outubro de 2009

"o mais importante do bordado é o avesso, é o avesso"...
[Tua, Maria canta pra mim].

quinta-feira, 15 de outubro de 2009

Casa na rua sem saída esteve cheia.
Dez dias passados rápidos, como se fossem os próprios ponteiros do relógio: voam, sem nem a gente perceber.
Mil novas pequenas histórias, que se somam ao infinito daquelas que já existem.
O resultado disso tudo, sou eu, um pouco mais completo, mais feliz.
E a ilha se encheu; os dias tiveram mais sentido; cada noite era, por si só, razão suficientemente imensa pra querer voltar rápido pra casa.
Dessas coisas que pedem urgência e não se explica: estar perto de quem a gente ama.

Casa na rua sem saída sorriu pra mim.
Aqui, caberiam mais três que ficaram e quantos mais quisessem vir.
A vida junto deles é uma refeição de se comer sentado, numa mesa onde sempre há fartura para quem quer se satisfazer das coisas mais nobres e mais eternas.

Penso que esse deve ser um dos significados do substantivo verdade.

quarta-feira, 7 de outubro de 2009

"O tempo é um ponto de vista dos relógios."
[Mário Quintana, logo pela manhã de quarta-feira]