terça-feira, 21 de abril de 2009

A vida é uma só.
E, mesmo sabendo disso, acho que perdi minha bússola.

...

Pra onde é que eu olho agora?
Pra cima ou pra baixo?
Pra fora ou pra dentro de mim?

domingo, 19 de abril de 2009

01:
Abril de 2009.
Dia 18.

02:
Um bar de luzes amarelas e o mar cantando pra mim.
A música talvez seja só um bobo pretexto para eu me escutar.
A noite convida a estar fora de casa e dentro de mim.
Meu carro preto me acompanha e me leva por um caminho que eu ainda quero descobrir.
Por mais que eu já tenha estado aqui, agora é diferente.
Tudo é novo: e o desconhecido assusta.
Não sei o que sinto, não sinto o que sei.
Dói. Dói porque ainda pulsa.
É estranha a sensação do tempo fazendo carinho na gente...
Isso tem a ver com uma certeza: a saudade existe como atestado de que o tempo passou.
Tenho oscilado entre certezas e vazios completos.
Queria um abraço coletivo de meus irmãos. Queria a cama de minha mãe e o ronco de ninar de meu pai. Queria a mesma mesa de comer, para alimentar a minha alma que agora sente fome.

03:
Uma casquinha de siri, uma caipirinha de limão com pouco açúcar e as risadas das mesas ao meu redor.
Sigo escutando o mar - mas isso não quer dizer que eu esteja entendendo o que ele me diz.
Estou em uma mesa vermelha, com três cadeiras, também de plástico vermelhas: contraponto de cor em meio à monocromia predominante do ambiente, do cenário, da roupa que eu levo, daquilo que eu estou sentindo.

Se bem que isso é incoerência.
Ironia pura da vida e seus recôncavos.

Corrijo: acabo de perceber que predominam as cores quentes, os sorrisos e os encontros.
Ainda bem que no meio disso tudo, existem os opostos, os hiatos, a pausa que sinto agora.
Isso faz a vida ser assim, única, inédita, cheia de curvas acentuadas, de acidentes, de surpresas, de inconstâncias, de irregularidades, de esquinas.

04:
A minha mesa está embaixo de uma árvore.
Essa árvore é uma gameleira que, mesmo à noite, projeta sombras.
A mesma sombra da fazenda que tanto me inspira saudade.
Imensas: a sobra da gameleira, a gameleira e a saudade.
Estou sozinho e, olhando para ela, me sinto menos só. Penso me sentir abraçado pela extensão de seus galhos.
O cardápio exclui as porções individuais. Só me restou a casquinha de siri, que é única por si só.
A música que escuto é chorinho cantado ao vivo.
Pequenas semelhanças; ou coincidências.
Chorinho...
De fora, e de dentro de mim.

sexta-feira, 17 de abril de 2009

"Pessoalmente, penso que chega um momento na vida da gente, em que o único dever é lutar ferozmente para introduzir, no tempo de cada dia, o máximo de "eternidade". Rezo, escrevo, amo, cumpro, suporto, vivo - mas só me interessando pela eternidade." (G.Rosa)

terça-feira, 14 de abril de 2009

E os dias passaram rápidos, como se fossem sonhos bons.
E o tempo na estrada se extendeu além de meu pensamento, além de meu desejo de permanecer ali.
Eu volto com o sono que não dormi, pintado pela saudade que já existe dentro de mim.