sexta-feira, 23 de maio de 2008

Era como se eu pedisse para a cidade me abraçar.
E, à medida em que eu caminhava sozinho e conhecia um pouco mais de suas ruas, eu conhecesse um pouco mais de minhas ruas também.
Era como se cada esquina tivesse o poder de mudar o sentido das coisas.
Era somente virar, e o caminho já não seria mais o mesmo.
Era como se eu caminhasse rumo à minha casa, pedindo ao Cristo Redentor que viesse me acolher naquela noite.
Aquele Cristo e aquele calor que só o meu país tem o privilégio de ter.
Era como se eu fizesse uma prece.
Era como se eu sentisse fome.
Era como se eu olhasse para a lua e me perguntasse se ela estava cheia assim para todos ou se ela estava tão cheia assim só para mim.
Era como se eu desconfiasse da sombra que me seguia, mesmo sabendo que era eu mesmo que caminhava ao meu lado.
Era como se eu pedisse para que as minhas próprias ruas me mostrassem o caminho certo de volta para casa.

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