segunda-feira, 2 de junho de 2008

Quando o coração aperta, deve ser que está cheio demais.
Falta espaço, deve.
Acho que é isso.
Coração lota feito ônibus em horário de rush, em dia de chuva.
E acaba apertando um punhado de gente que viaja, de parada a outra.
Nunca vi tão cheio.
Desarrumado, bagunça de meus velhos CDs.
Melodias conhecidas, poesias decoradas, dias meus.

Amanheci que chovia.
Fazia frio dentro de mim.
Previsão de um tempo: meteorologia.
Já diziam os meus velhos CDs.
Falta de ordem em um espaço mínimo, mas infinito, pela beleza da contradição.
Antíteses dos dias meus.

Sim, amanheci que chovia.
Cheio de goteiras.
Teto de vidro, bota sete léguas, capa de chuva, ventilador, janelas abertas.
Espelho dos dias meus.

Ônibus lotado.
Coração apertado feito nó de escoteiro.
Dias, dias.
Retrato de uma máquina de retratos.
Anotações, vontades cantadas em meu fone de ouvido.

Sei não.
Sei de nada não.

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