Cada viagem minha deveria ganhar uma página de meus escritos, complemento de minhas fotografias, registros de minha memória.
O fato de andar sem tempo é hoje um sintoma de felicidade.
Ando pulando de ponto em ponto de meu mapa-mundi, como se cada cidade fosse tão próxima de mim quanto meu próximo passo – fácil, visível, pronta e próspera: minha.
Mas uma coisa não posso negar: o tempo aqui é doido de pedra.
Brinca, esconde, volta a aparecer. Pula de dez para doze, salta o onze sem nem mesmo medir as consequências de seus saltos.
Doido tempo esse daqui.
Anoitece depois, amanhece antes.
Lua encontra com sol no céu, dias desregulados.
Sono fora de hora, comidas também.
Viagens, encontros, tempos de para sempre.
Mas tenho agradecido cada minuto desse tempo, que, agora, já tem cara de saudade.
Saudade inverteu de lado.
Mudou de sentido.
Virou a casaca, e agora é saudade daqui.
Cada dia a mais, é um dia a menos.
Foi um tempo mágico.
Está sendo, ainda.
Mas já tem seus dias contados.
De trás pra frente, é pequeno o tempo que me resta.
E ele não me amedronta. Do contrário, me encoraja para o novo tempo que me espera.
E aí, será um tempo de abraços.
terça-feira, 26 de agosto de 2008
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