Não escrevo faz muito tempo.
A caixa de e-mails está lotada, cheia de e-mails sem respostas.
Tem faltado tempo para muita coisa.
O trabalho está uma loucura e esta semana especialmente foi atípica.
Trabalhamos todos os dias madrugada afora.
Mas isso também não é uma maneira de justificar nada.
É só uma maneira de começar a te dizer um pouquinho de como tudo anda por aqui.
A chuva está fazendo estragos.
Com quase tudo, eu diria.
E a gente acaba ficando mais introspectivo, pelo simples fato de mal poder sair de casa.
Nos dois meses aqui, só dois dias de sol.
Isso também diz muita coisa.
A adaptação tem sido difícil, misturando solidão, saudade e dificuldades que eu não esperava encontrar.
Mas, se a alma não é pequena, tudo vale.
O aprendizado tem sido enorme. Dias mais, dias menos.
A vida na ilha é tranquila - mais tranquila do que o necessário, eu diria.
Faltam coisas acontecendo, afinal de contas, estamos ilhados.
Mas aí, é só girar a cabeça e dar uma olhada ao redor para me inspirar na Lagoa, no mar que de tão perto, quase posso escutar.
Ele passou a ser meu vizinho, apesar de quase nunca poder ir visitá-lo.
Todas as experências parecem ser novas demais para serem avaliadas com propriedade.
Sinto que comecei do zero. Sinto que cada dia sinto que sei menos e que posso aprender mais.
E a gente, nessa história de começar num lugar novo, num trabalho novo, com pessoas novas, numa cidade nova, numa casa nova, com uma cama nova e novos cheiros, acaba tendo que nascer de novo também - acaba tendo que aprender a caminhar aos poucos, engatinhando e caindo. Acaba tendo que aprender a falar uma nova língua, gaguejando e falando errado, até ter segurança de se pronunciar em público.
Tenho me sentido assim, meio criança com todos os seus medos mais absolutos e legítimos.
Depois de muitos dias, eu pude descansar.
Descansar e escrever.
[Escrito há alguns dias, na última semana, que agora já passou.]
domingo, 7 de dezembro de 2008
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