domingo, 29 de março de 2009

Às vezes, a vida se comporta como ilha.
E é assim que estou.
Cercado de um infinito, longe de todos os lugares e de todos os abraços que eu queria estar agora.
Longe de tudo.

...

Foram porções generosas de cumplicidade, de dedicação sem medida.
Pra isso não existe receita.
Nem receita, nem tamanho.
Essas coisas, nem tem como ensinar. Poucos sabem a dose certa.
E ela sabia o ponto.
Sabia o ponto exato do meu bife alto preferido, do meu doce que me fazia sentir importante, do pudim sem nenhum furinho, o ponto exato de tudo que ela sempre foi e me ensinou a ser, com lições pequenas na cozinha e na vida.
Nada era sem graça. Não existia meio termo.
Sempra pra mais, sempre pra mais, sempre para mais.
Um exagero de pessoa.
Um exagero que enche a casa, que preenche os espaços, que organiza a vida da gente.
Um exagero que fazem pequenas as minhas palavras, um exagero que não se traduz.
Um exagero de lamber os dedos, de roubar a calda do bolo, de queimar a boca com cada fornada do pão de queijo mais inesquecível.
O exagero de toda a minha vida, alimentada dia a dia de delícias, e, agora, de recordações.

...

As circustâncias me trouxeram pra longe.
Pra bem longe desse berço...

...

Fico imaginando que as comidinhas de Papai do Céu agora ficarão bem mais saborosas.
O cardápio agora é farto, extenso, completo.
Tomara que os Santos mais gordinhos gostem de feijoada como eu.
E que, pra não haver nenhum problema, a gula seja rapidamente cortada da lista de pecados.

E depois disso tudo, eu não me assustarei se houver por aí chuva de limonada ou de nescau bem preto.
Nem se, por ventura, alguma panela cair do céu.

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