domingo, 9 de agosto de 2009

Às 18H anoitece na ilha.
Ainda estamos no inverno.
Uns dias mais, outros menos.
Domingo tem cara de contagem regressiva.
Talvez por isso tenha seus momentos particulares de angústia e de página em branco.

A sexta feira foi de lições: em algum momento, ou a gente para, ou a vida se encarrega de fazê-lo por nós.
Entre dúvidas do tipo "o que é mesmo que eu estou fazendo aqui?", a certeza de que o estar longe é muito maior e muito mais longe do que se imagina. Isso aumenta os centímetros da saudade.

Domingo tem cara de retrospectiva e de promessas.
Domingo tem cara de conversa com a gente mesmo e com quem a gente sabe que sabe da gente.
Domingo é dia de novos pregos na parede, de comidinha feita em casa, mesmo que seja pra ser um almoço de uma pessoa só.
Domingo tem cara de reticências, porque não basta a si mesmo.
É resumo e conclusão do que já foi e é introdução do que ainda vai ser.

Escuto: "bons ventos para nós".
Venham todos.
Apesar de ser domingo, ainda há a vida e o céu para compreender, repartir, entender, aceitar.
Noites lindas anoitecem na ilha.
No inverno em que o céu resiste a estar limpo de nuvens, em que as meias passeiam pelo chão frio da casa, em que as roupas custam a secar no varal, em que o amor pede pra estar mais aceso.

Talvez seja isso.
É preciso aprender que tudo que foi, não foi nada.
Importante mesmo é o que ainda vai ser.

Nenhum comentário: