Às 18H anoitece na ilha.
Ainda estamos no inverno.
Uns dias mais, outros menos.
Domingo tem cara de contagem regressiva.
Talvez por isso tenha seus momentos particulares de angústia e de página em branco.
A sexta feira foi de lições: em algum momento, ou a gente para, ou a vida se encarrega de fazê-lo por nós.
Entre dúvidas do tipo "o que é mesmo que eu estou fazendo aqui?", a certeza de que o estar longe é muito maior e muito mais longe do que se imagina. Isso aumenta os centímetros da saudade.
Domingo tem cara de retrospectiva e de promessas.
Domingo tem cara de conversa com a gente mesmo e com quem a gente sabe que sabe da gente.
Domingo é dia de novos pregos na parede, de comidinha feita em casa, mesmo que seja pra ser um almoço de uma pessoa só.
Domingo tem cara de reticências, porque não basta a si mesmo.
É resumo e conclusão do que já foi e é introdução do que ainda vai ser.
Escuto: "bons ventos para nós".
Venham todos.
Apesar de ser domingo, ainda há a vida e o céu para compreender, repartir, entender, aceitar.
Noites lindas anoitecem na ilha.
No inverno em que o céu resiste a estar limpo de nuvens, em que as meias passeiam pelo chão frio da casa, em que as roupas custam a secar no varal, em que o amor pede pra estar mais aceso.
Talvez seja isso.
É preciso aprender que tudo que foi, não foi nada.
Importante mesmo é o que ainda vai ser.
domingo, 9 de agosto de 2009
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