Quando eu saí de mala na mão, eu quis ir ao encontro de mim mesmo.
Distanciar de meus vícios cotidianamente plantados em meu canteiro para reflorestar pedaços já devastados de minha curta história.
Nessa viagem, eu parti em busca de mim - fato, feto: frase pronta.
Mas é verdade.
Talvez eu não soubesse bem o que buscava, mas a verdade é que, de fato, buscava.
Tinha fome e tinha sede.
Queria alimento, não importava qual fosse.
E, cada dia mais um pouco, eu viajava para dentro de minhas ruas, mapas de meus próprios caminhos.
Sutil, sereno, impetuoso, ligeiro, contraditório, mas, sobretudo, sincero.
E o mais interessante - e importante, eu diria - é que, à medida em que eu me via, me conhecia e reconhecia os outros em mim.
Eu, reflexo puro e simples de todos os outros em meu jeito de ver e compreender as coisas, os tempos, os instantes desses tempos.
Eu, curso de corte e costura de uma rede infinita de expressões ditas e ouvidas, reflexo impresso de meus amados em mim.
Eu, construção em construção: amor projetado, vazio de mim, porque, na verdade, eu sou nada mais que gratidão aos que me fazem, aos que me tecem, aos que me sopram involuntários esse "eu sou assim".
quinta-feira, 28 de agosto de 2008
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